quinta-feira, 3 de abril de 2014

Fala sério: Em tempos de repúdio ao bullying a Lacta inventa uma dessas... Publicitários e marketing da empresa em que planeta vocês vivem? Leia a matéria completa em: http://www.sm.com.br/Editorias/Ultimas-Noticias/Procon-do-RJ-retira-ovos-de-Pascoa-Bis-das-prateleiras-por-%91incitar-bullying%92-23060.html

quinta-feira, 20 de março de 2014

Andragogia

Jovens e adultos são motivados a aprender à medida que experimentam suas necessidades e seus interesses são satisfeitos. Em função disso, a maneira mais apropriada para iniciar a organização das atividades de aprendizagem do adulto é por meio dos seus interesses.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Por uma nova forma de ensinar

Idealizador da Escola da Ponte critica maneira como tecnologia é usada em sala e chama de "miserável" formação de professor no Brasil Não existe um modelo padrão de ensino. Cada escola deve se organizar para atender a seus alunos. Quem defende a ideia é o educador José Pacheco que, por mais de 30 anos, dirigiu a inovadora Escola da Ponte, em Portugal, onde o aprendizado é pautado pela confiança entre estudante e professor: não há salas de aula tradicionais, grade curricular ou provas. Os bons resultados da instituição dão a Pacheco autoridade para questionar o método de ensino atual. Na era das redes sociais, ele defende o compartilhamento do conteúdo escolar pelos alunos, levando a uma construção coletiva do saber. O educador também classifica como “miserável” a formação dos professores no Brasil. Nada acontece de diferente quando a teoria antecede a prática. É preciso uma ruptura com os modelos convencionais, em busca de uma nova escola, que se organize em torno dos valores que unem as pessoas atendidas. A escola não é um edifício, mas um espaço social — comenta o português, que participará do Conecta, evento sobre novas tecnologias e educação, que ocorre quarta e quinta-feira, no Rio. Pacheco é um dos idealizadores da Escola da Ponte, na pequena Vila das Aves, a 30 quilômetros do Porto. Na instituição, os alunos se agrupam de acordo com sua área de interesse. Não há divisão por séries. Monitorados por professores, o estudante faz seu plano de metas baseado no conteúdo sugerido pelo Ministério da Educação. A metodologia ganhou fama global. Encantado, o escritor e educador Rubem Alves escreveu trabalhos como “A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir” (2003). Cerca de cem instituições no Brasil mudaram para, de certa forma, seguir o exemplo. O próprio Pacheco está envolvido numa iniciativa que segue essas premissas, em Cotia (SP). Com 440 alunos, cujas famílias têm rendas de até três salários mínimos, o Projeto Âncora serve ao pré-escolar e ao ensino fundamental, sem turmas definidas. O aprendizado se dá conforme o interesse dos alunos, que assimilam o conteúdo e o compartilham no ambiente escolar. — É um trabalho de formiguinha. Na implantação do projeto, rejeitamos tudo que não interessa. Aulas e séries são um obstáculo para o crescimento humano — diz ele. Os resultados, segundo Pacheco, são animadores. Alunos marcados pela exclusão recebem atenção que nunca tiveram. Em seis meses, crianças analfabetas aprenderam a ler, e os professores embarcaram na novidade. Mas o educador se mostra preocupado com o quadro geral do ensino no Brasil e no mundo. Na opinião dele, os métodos em voga estão obsoletos desde o fim do século XIX. — Basta dizer que, no Brasil, esse tipo de educação dá origem a 24 milhões de analfabetos funcionais. Não adianta ser a sexta economia do mundo, quando se ocupa os últimos lugares em rankings de educação — critica Pacheco, para quem o despreparo das escolas fica latente diante de questões atuais como o bullying. — Muitas escolas suspendem ou expulsam alunos, instalam câmeras de segurança. Deveriam ser adotadas novas formas de diálogo. Para resolver esse problema, diz ele, é essencial investir na formação de educadores: — A formação de professores no Brasil, não hesito em dizer, é miserável. Parte de princípios errados, como aquele de que a teoria pode anteceder a prática. Não adianta colocar jovens na faculdade e enchê-los com teorias ultrapassadas. Eles perpetuarão esse modelo. Pacheco diz que a renovação deve englobar a forma como as recentes tecnologias são aplicadas no ensino. Em tempo de redes sociais, não basta apenas introduzir computadores e mudar o velho quadro-negro pelo monitor digital. — Mesmo nos EUA e na Europa, o modelo convencional de educação continua. As novas tecnologias contribuem para a mesmice, quando deveriam proporcionar o compartilhamento de conteúdo entre os alunos. Se as escolas entenderem isso, podem migrar de um modelo em que os estudantes são como papagaios repetindo a lição para um ambiente onde ocorra, de fato, a construção do saber — diz o educador. — Os jovens precisam ser incentivados a reconstruir uma sociedade doente e usar as tecnologias para fazer isso criticamente. Noto que essas ferramentas contribuem para que os alunos se tornem solitários. Isso é uma regressão. Matéria publicada no site O Globo: http://oglobo.globo.com/educacao/por-uma-nova-forma-de-ensinar-6766027

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O Pequeno Príncipe e a vida real

Estou lendo o Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry. Tudo bem, alguns podem achar que é um pouco tarde para tomar contato com uma obra tão clássica e que faz parte do imaginário infantil; mas vou dizer para vocês: este livro me parece muito adulto!
Engraçado como os conflitos são colocados pelo autor, de forma simples e escandalosamente clara. Crianças podem ser consideradas bem mais sãs que adultos, nós realmente complicamos tudo. Na história (para quem não leu ou para quem leu há muito tempo), o principezinho resolve conhecer e explorar outros mundos e, neste caminho, vai encontrando algumas figuras que bem poderiam ser reais: O rei, com sua empáfia e sede de poder; o bêbado que tem pena de si mesmo; bebe para lembrar e para esquecer a sua condição de beberrão; o vaidoso, que só ouve aquilo que lhe interessa; o ascendedor de lampiões que pode ser considerado o burocrata que só faz aquilo que está descrito no protocolo e que se tiver que mudar algo se perde; o empresário que só pensa em trabalhar e amealhar mais e mais estrelas (posses)e que depois não sabe o que fazer com tantos milhões depositados no banco, pois está tão ocupado em contar que não tem tempo de gastar e, por fim, o geógrafo, aquele que só registra fatos duradouros e não dá valor aos pequenos momentos efêmeros da vida. O que todos eles têm em comum? Eles vivem em planetas tão minúsculos, sozinhos, envolvidos em suas próprias tarefas; não são capazes de dar um pouco de sua atenção ao visitante do seu mundo, o principezinho. Agora pergunto:será que nos encontramos no nosso próprio planeta agora? Somos tão egoístas quanto os habitantes destes países, pois habitamos o nosso próprio mundo e não damos lugar para que outras pessoas adentrem nosso planeta? Quem sabe se explorarmos os mundos dos outros, conheceremos o nosso planeta interior, assim como está fazendo o principezinho. Pense nisso! Dica para quem já leu o livro e vai entender o que vou dizer: Não tome um chapéu da vida, procure ver o que existe dentro de cobras, quem sabe encontre elefantes.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

29 de outubro - DIA DO LIVRO Você sabe por que comemoramos o dia Nacional do Livro no dia 29 de outubro? Por que foi nesse dia, em 1810, que a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para o Brasil, quando então foi fundada a Biblioteca Nacional e esta data escolhida para o Dia Nacional do Livro. O Brasil passou a editar livros a partir de 1808 quando D. João VI fundou a Imprensa Régia e o primeiro livro editado foi "MARÍLIA DE DIRCEU", de Tomás Antônio Gonzaga. Comemore também! Comemore o dia do livro: lendo; presenteando com livro, ou, escrevendo uma frase. Se gostar do que escreveu, nos envie por e-mail. Vamos divulgar. "Viajar pela leitura sem rumo, sem intenção. Só para viver a aventura que é ter um livro nas mãos. É uma pena que só saiba disso quem gosta de ler. Experimente! Assim, sem compromisso, você vai me entender. Mergulhe de cabeça na imaginação!" Fonte: Clarice Pacheco, Caderno de Poesias. AGE Ed. Porto Alegre, 2003.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Voltando...

Passei muito tempo longe dos posts. Um longo e tenebroso inverno se apossou da minha alma nestes últimos meses. Durante este período, entendi que nada neste mundo é mais importante que ter saúde, que somente isso é sinônimo de felicidade. A cada novo amanhecer penso como seria se fosse como antes, mas o agora é bem diferente do ontem. Um tom de melancolia, de saudade, de amor e uma sensação de não pertencer, de falta, de vazio. Não importa que o amanhã seja um novo dia, o meu dia interior ainda anseia pelo ontem, com saudade do que passou. Apesar disso, me resta agora continuar... e, por isso estarei mais presente aqui; para me ajudar a continuar... Um beijo...

95% OU 5%?

Tínhamos uma aula de Fisiologia na escola de medicina logo após a semana da Pátria. Como a maioria dos alunos havia viajado aproveitando o feriado prolongado, todos estavam ansiosos para contar as novidades aos colegas e a excitação era geral. Um velho professor entrou na sala e imediatamente percebeu que iria ter trabalho para conseguir silêncio. Com grande dose de paciência tentou começar a aula, mas você acha que minha turma correspondeu? Que nada! Com um certo constrangimento, o professor tornou a pedir silêncio educadamente. Não adiantou, ignoramos a solicitação e continuamos firmes na conversa. Foi aí que o velho professor perdeu a paciência e deu a maior bronca que eu já presenciei. Veja o que disse: “ Prestem atenção porque eu vou falar isso uma única vez”, disse, levantando a voz e um silêncio de culpa se instalou em toda a sala e o professor continuou. Desde que comecei a lecionar, isso já faz muitos anos, descobri que nós professores, trabalhamos apenas 5% dos alunos de uma turma. Em todos esses anos observei que de cada cem alunos, apenas cinco são realmente aqueles que fazem alguma diferença no futuro, apenas cinco se tornam profissionais brilhantes e contribuem de forma significativa para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Os outros 95% servem apenas para fazer volume. São medíocres e passam pela vida sem deixar nada de útil. O interessante é que esta porcentagem vale para todo o mundo. Se vocês prestarem atenção notarão que de cem professores, apenas cinco são aqueles que realmente fazem a diferença, de cem garçons, apenas cinco são excelentes; de cem motoristas de táxi, apenas cinco são verdadeiros profissionais; e poderia generalizar ainda mais; de cem pessoas, apenas cinco são verdadeiramente especiais. É uma pena muito grande não termos como separar estes 5% do resto, pois se isso fosse possível, eu deixaria apenas os alunos especiais nesta sala e colocaria os demais para fora, então teria o silêncio necessário para dar uma boa aula e dormiria tranquilo sabendo ter investido nos melhores. Mas infelizmente não há como saber quais de vocês são estes alunos. Só o tempo é capaz de mostrar isso. Portanto, terei de me conformar e tentar dar uma aula para os alunos especiais, apesar da confusão que estará sendo feita pelo resto. Claro que cada um de vocês sempre pode escolher a qual grupo pertencerá. Obrigado pela atenção e vamos a aula de hoje.” Nem preciso dizer o silêncio que ficou na sala e o nível de atenção que o professor conseguiu após aquele discurso. Aliás, a bronca tocou fundo em todos nós, pois minha turma teve um comportamento exemplar em todas as aulas de Fisiologia durante todo o semestre, afinal quem gostaria de espontaneamente ser classificado como fazendo parte do resto? Hoje não me lembro de muita coisa das aulas de Fisiologia, mas a bronca do professor eu nunca mais esqueci. Para mim, aquele professor foi um dos 5% que fizeram a diferença em minha vida. De fato, percebi que ele tinha razão e, desde então tenho feito tudo para ficar no grupo dos 5%, mas, como ele disse, não há como saber se estamos indo bem ou não, só o tempo dirá a que grupo pertencemos. Contudo, uma coisa é certa: se não tentarmos ser especiais em tudo que fazemos, se não tentarmos fazer tudo o melhor possível, seguramente sobraremos na turma do resto. Autor desconhecido

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Com o avanço da tecnologia e dos computadores, esta forma de escrita sobrevive quase que exclusivamente no ambiente escolar

Resolvi postar este texto, pois lecionando para as turmas de pegadogia, percebi que muitas alunas deste curso ainda escrevem com a letra de forma ou bastão e que possuem uma calegrafia que deixa a desejar, principalmente quando se fala em futuras pedagogas. Um desafio para corrigir provas. Em tempos de era digital, o uso da letra manuscrita, sobretudo a cursiva, está ficando praticamente restrito à escola. No mundo do trabalho, dominado pelos computadores, muitos nem se lembram direito como escrever à mão, quanto menos fazer todas as “voltinhas” no caderno de caligrafia. Com exceção de poucos bilhetes ou assinaturas em documentos oficiais, até a própria escrita manual já é rara. Ninguém quer mais escrever no papel com medo de a letra parecer feia ou de não poder mudar de ideia e “deletar”. Enquanto isso, na sala de aula, as crianças passam anos aprendendo a desenvolver diferentes traçados até chegar, finalmente, à letra cursiva, quase sempre a mais complicada para os alunos. Se o trabalho dos professores costuma ser grande e a aplicação prática é pequena, ainda vale a escola reservar tempo para o ensino da letra cursiva? Conhecer apenas a letra de forma não seria suficiente para ser alfabetizado hoje? O tema é controverso e a resposta não é tão simples. Para aqueles que defendem a necessidade da escrita cursiva, tecnicamente chamada de amalgamada, a principal justificativa para o ensino é a fluência, a rapidez que essa forma proporciona na hora de escrever, já que não é preciso tirar o lápis ou a caneta do papel a cada letra. Mas qual é a necessidade de ser tão rápido? Para poder tomar notas durante qualquer situação em que a tecnologia não esteja disponível. Porém, se o uso de computadores, smartphones e tablets se tornar uma realidade nas escolas, ainda assim a letra cursiva teria seu espaço garantido? O especialista em alfabetização João Batista Araujo e Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, acredita que ainda é cedo para colocar essa questão na ordem do dia das escolas. “Pelo menos por enquanto, mesmo nos países altamente influenciados pela tecnologia, a escrita ainda é muito utilizada nas situações práticas da vida. Seria temerário que as próximas gerações não cheguem à vida adulta com esses instrumentos. Se algum dia a escrita manuscrita for abolida, aí sim a escola não precisa se preocupar mais com isso”, afirma. A escrita cursiva ainda é uma exigência em algumas provas, alguns vestibulares e concursos públicos. Mas muitos já passaram a aceitar também a letra de forma ou de imprensa, como também é chamada, desde que seja feita a diferenciação entre maiúsculas e minúsculas. E aí é que está o problema. Muitas pessoas saem do ensino fundamental sem saber fazer as duas formas. O professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Geraldo Peçanha de Almeida explica que na educação infantil muitas vezes os educadores passam três anos ensinando apenas a letra bastão maiúscula (ou caixa alta) para facilitar o processo de aprendizado. Depois a criança começa a aprender a letra cursiva e acaba não treinando suficientemente as letras de forma minúsculas. “E não se pode escrever tudo em letra maiúscula, é um erro ortográfico”, lembra. O docente ressalta que se a escola focasse no ensino dos dois tipos não haveria empecilho em escolher esta forma de escrita ao invés da cursiva se a criança se adaptasse melhor. “Se a escola ensinasse a maiúscula e a minúscula não haveria nenhum problema de a criança escrever o resto da vida em letra bastão”, resume. Dificuldade de aprendizado O processo de ensino da letra cursiva geralmente começa entre os 6 e 7 anos de idade e exige habilidades relacionadas à coordenação motora fina. Até pegar prática e fazer um traçado legível a criança demora cerca de três anos. Isso significa que, em média, por volta dos 9 anos o estudante terá desenvolvido a forma de escrita que utilizará ou não ao longo da vida – dependendo de como a tecnologia evoluir e a sociedade se adaptar às mudanças. Não são raros os alunos que têm dificuldade para aprender a letra cursiva. E existem vários motivos associados ao problema. O professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara, Luiz Carlos Cagliari, acredita que a deficiência no aprendizado está relacionada à metodologia de ensino. “Em geral, vejo que crianças problemáticas com a escrita não apresentam o mesmo tipo de problema quando desenham. Então, há algo de errado com o modo como são ensinadas. Adotando várias etapas para se chegar à escrita cursiva fica mais fácil.” Cagliari sugere o uso de gabaritos para facilitar a escrita, além de um pouco mais de paciência do educador, que pode deixar o aluno usar a escrita maiúscula ou bastão enquanto ele não se sentir à vontade com a forma concatenada. Entretanto, alerta que o maior problema é quando o aluno não sabe ler escrita cursiva, que muitas vezes é opaca aos olhos da criança, pois as letras não são tão separadas e diferenciadas quanto na forma bastão. Geraldo Almeida defende que a letra cursiva seja ensinada mais cedo, ainda na educação infantil, para facilitar o processo. “A partir do momento que a criança reconhece na letra bastão que determinada marca é ‘A’, se ela reconhece esta marca para o som ‘A’, já pode ser introduzida a letra cursiva.” O professor da UFPR lembra que além da coordenação motora fina da ponta dos dedos, que costuma ser bem exercitada nas escolas e acaba sendo também naturalmente mais desenvolvida por causa da familiaridade das novas gerações com o teclado, é preciso trabalhar todo o segmento do braço para possibilitar a movimentação adequada durante a escrita. De qualquer forma, Almeida acredita que a escola não deve ficar focada apenas na dificuldade da criança porque algumas podem nunca aprender a escrita cursiva, porém isso não significa que não sejam alfabetizadas. Ele diz que insistir nesta forma de escrita prejudica ainda mais o desenvolvimento do aluno. “Não seria o caso de a escola continuar batalhando para a criança fazer a letra cursiva porque esse bloqueio motor vai levá-la a um bloqueio mental também”, afirma. Nesta situação, o professor sugere que a instituição continue o processo de alfabetização desse aluno com letra bastão maiúscula e minúscula. Cagliari insiste que o problema está mais no lado de quem ensina do que de quem aprende. Ele destaca que muitas escolas sequer passam aos educandos o conhecimento de como segurar o lápis de modo correto. “Alguns alunos começam a escrever como se fossem canhotos, colocando a mão acima da linha de escrita, porém usando a mão direita. Alguns escrevem segurando o lápis como se fosse um bastão e ao escrever não conseguem ver o que estão fazendo. Um pouco de disciplina artística no uso do material de escrita ajuda a evitar problemas.” Espécie em extinção? Qual teria sido a reação na época se alguém dissesse que o pergaminho e a caneta-tinteiro iriam desaparecer? Nem sempre as mudanças são vistas com entusiasmo em um primeiro momento. Será que a letra cursiva – quiçá a escrita manuscrita de forma geral – também está próxima de se tornar obsoleta? Os especialistas se dividem entre os mais puristas, que temem a perda deste conhecimento, e os mais vanguardistas, que acreditam que é preciso evoluir com a tecnologia. Porém, todos concordam que no momento atual a escrita ainda é uma necessidade social. “Do homem das cavernas ao homem moderno, precisamos da escrita por uma questão de cidadania”, afirma o professor da UFPR. Entretanto, ele mesmo acredita que esta realidade está com os dias contados e diz que se no mundo do trabalho a escrita manuscrita sobreviver por mais 10 anos, no ensino fundamental não passará de 50 anos, o que significa que os professores precisam desde já começar a debater a questão. “A letra manual não tem mais espaço na sociedade. Porque não temos mais o cronológico (tempo) disponível para ela”, dispara. Já o pesquisador da Unesp não concorda que a escrita manuscrita, inclusive a cursiva, irá desaparecer das instituições de ensino nem da vida das pessoas na sociedade. Por outro lado, Cagliari admite que a escrita via computador poderá ser mais utilizada do que a caneta ou qualquer outra coisa. “Isso é próprio da evolução da civilização e quem não se adaptar irá ficar para trás, com muitos problemas. Portanto, a escola deveria usar cada vez mais computadores para todas as atividades de escrita, desde a pré-escola”. Mesmo assim, ele defende a importância de possuir as duas habilidades de escrita: manuscrita cursiva e escrita digitalizada, pois acredita que a falta de uma delas “significa uma restrição para a vida de um indivíduo no mundo de hoje”. Além disso, Cagliari diz que é uma vantagem cultural dominar todas as formas. Para o presidente do Instituto Alfa e Beto, a escola precisa ser prudente e esperar a escrita desaparecer primeiro antes de agir. Sobre o uso da forma cursiva ainda nos dias de hoje, declara: “A letra cursiva é mais eficiente: você raramente tira o lápis do papel. Esta é a única razão para dominá-la. Mas é uma razão muito forte. É preciso ter muita prudência para não descartar a sabedoria e a experiência acumulada pela humanidade.” Com relação às habilidades motoras que escrever com letras concatenadas proporciona, todos são unâmimes em dizer que não existe uma perda de coordenação no desenvolvimento do aluno que não pratica a escrita cursiva. Esta capacidade é aprimorada em diversas outras atividades escolares. Para responder a pergunta sobre se ainda vale a pena reservar tempo em sala de aula para ensinar a letra cursiva, é preciso “ter bola de cristal”. Existem muitos indícios de que o uso da escrita manuscrita está desaparecendo, sobretudo quando se olha para o mundo do trabalho e para o aumento progressivo dos computadores nas escolas. Porém, ninguém sabe qual é o momento certo de abandonar um conhecimento em prol de outros. O mais importante por enquanto é ponderar sobre a questão para ter a capacidade de se adaptar às mudanças que afetam a sociedade e, consequentemente, não podem ser ignoradas pela escola. Texto publicado na edição de setembro de 2010 da revista Gestão Educacional.